Luana preparava uma história em quadrinhos para a feira da escola. No primeiro quadro, um menino fechava uma janela porque a chuva entrava. No segundo, aparecia «BAM!» dentro de um balão. Sua irmã leu os desenhos e perguntou quem havia gritado aquela palavra. Luana não queria mostrar um grito. Queria representar o som da janela ao fechar. Olhou os quadrinhos: o balão tinha uma ponta voltada para a boca do menino. Ela apagou essa ponta e colocou o som ao lado da janela, sem balão de fala. Na versão seguinte, a irmã entendeu o barulho. Mas perguntou por que, no terceiro quadro, o menino oferecia um pano ao gato. Luana explicou que ele usaria o pano para secar o chão; o gato tinha subido em uma cadeira para fugir da água. A mão do menino, porém, parecia estender o pano na direção do animal. Luana refez apenas esse gesto. Desenhou a mão apontada para o chão molhado e manteve o gato na cadeira. Quando leu outra vez, a irmã reconheceu a sequência: chuva, janela fechada, pano para o chão. Luana guardou as duas versões. Descobriu que uma ponta ou uma direção podiam mudar a leitura, mesmo quando as personagens e as palavras continuavam quase iguais.