Reportagem do jornal escolar — situação fictícia. A biblioteca da escola passou a abrir também no intervalo do turno da tarde. O jornal quis saber se a mudança aproximou estudantes dos livros. Na reunião de pauta, surgiu a manchete “Novo horário faz a escola ler mais”. Antes de publicá-la, a equipe decidiu consultar o caderno de empréstimos e conversar com pessoas que usavam o espaço. O caderno reúne retiradas feitas no balcão, com a data e o nome de quem leva cada livro. Na semana seguinte à mudança, suas páginas tinham mais registros que na semana anterior. A bibliotecária lembrou que uma professora havia solicitado livros para um projeto naquela mesma semana. Explicou ainda que o caderno não acompanha o que cada pessoa lê em casa nem as consultas feitas dentro da biblioteca. Joana, do turno da tarde, contou que antes precisava escolher entre chegar mais cedo e participar do treino. Agora consegue devolver e escolher livros no intervalo. Caio, do mesmo turno, usa a mesa para ler um atlas, mas não o leva emprestado. Sua visita não acrescenta uma retirada ao caderno. Os dois entrevistados foram encontrados na biblioteca durante a apuração. Um estudante sugeriu que o jornal perguntasse apenas a quem aparece nas páginas do caderno, por ser um registro fácil de conferir. A equipe percebeu que, desse modo, Caio desapareceria da reportagem. Também faltavam vozes de pessoas que não tinham ido ao espaço depois da mudança. A facilidade de localizar uma fonte não resolvia o problema de saber quem ficava de fora. A versão final recebeu o título “Outro horário, outros caminhos até os livros”. O texto apresentou o aumento de retiradas e o relato de Joana, mas incluiu a ressalva da bibliotecária e a experiência de Caio. O jornal propôs acompanhar outras semanas e ouvir estudantes fora da biblioteca. Não afirmou que a mudança fracassou; deixou em aberto quanto ela explicava o aumento e que usos o caderno não conseguia mostrar.