Cena fictícia. Sala de ensaio de um centro cultural. Lia segura uma folha; Bento ajusta uma luminária; Célia observa da porta. Sobre uma cadeira há um cartaz: “O cenário foi preparado”. Lia: “É a frase que pensei para agradecer no programa”. Bento: “A mesa está aqui. A luz também. Podemos começar?”. Célia dá um passo, mas espera antes de falar. Lia: “Na estreia, quero uma foto nossa diante do cenário pronto”. Célia: “Nossa de quem?”. Lia: “Do elenco”. Célia: “Eu trouxe a mesa. Meu irmão emprestou a luminária. Hoje vou embora cedo para devolvê-la”. Bento para de ajustar a luz. Bento: “Pensei que ela ficasse até a apresentação”. Célia: “No ensaio, sim. Na estreia, precisamos combinar outro empréstimo”. Lia risca uma palavra na folha. Lia: “Posso escrever que Célia preparou o cenário”. Célia: “Eu trouxe uma parte. O pano foi costurado por Dalva, que não vem ao ensaio. O elenco escolheu a posição da mesa. Se o agradecimento tiver um nome só, vai parecer outro tipo de cena”. Bento olha o cartaz e o vira para o lado em branco. Bento: “Vamos pôr os nomes aqui?”. Lia: “E o que cada pessoa fez. Também precisamos confirmar os objetos que ficam para a estreia”. Célia: “Meu irmão pode emprestar a luz em outra data, mas vocês devem falar com ele”. Bento anota o contato. A mesa continua na posição escolhida, e o lugar da luminária permanece marcado com um pedaço de fita. Lia levanta a folha. Lia: “Acho que agora temos o cenário”. Célia, já com a luminária na mão: “Para ensaiar, temos uma conversa”. Lia abaixa a folha e afasta a cadeira para abrir passagem. Não há aplausos. Bento acompanha com os olhos a marca de fita no chão, que fica na sala depois que a luz sai.