Artigo para o mural do grêmio — situação fictícia. Quando dizemos que o pátio é de todos, costumamos apontar o portão aberto como prova. No recreio, porém, um grupo monta jogos de bola no centro e outro procura um canto para conversar ou desenhar. Minha proposta é reservar, em alguns intervalos, uma faixa do pátio para atividades sem bola, sem transformar o jogo em adversário da convivência. Quem joga argumenta que a quadra já é usada nas aulas e que o recreio oferece uma das poucas oportunidades de organizar partidas livremente. Concordo que essa oportunidade importa. Não proponho encerrar as partidas, mas combinar áreas e horários com quem usa o espaço. A liberdade de escolher uma atividade precisa ser examinada junto com a possibilidade concreta de realizá-la. Na semana passada, acompanhei dois recreios com colegas do grêmio. Vimos estudantes mudarem de lugar para evitar a passagem da bola. Uma colega não se incomodava com o jogo; precisava de uma superfície firme para apoiar seu caderno de desenho. Outro estudante disse que preferia ficar na sala, mas não chegou a explicar o motivo. Essas observações levantam perguntas, sem representar a opinião de toda a escola. Uma objeção à proposta é que uma faixa reservada pode ficar vazia. Esse seria um dado importante, não uma razão para dispensar a experiência. Sugiro testar a divisão durante uma semana, divulgar a finalidade de cada área e registrar tanto o uso quanto as dificuldades. Se a faixa ficar vazia, será preciso ouvir os estudantes antes de concluir que não existe interesse: o lugar pode não oferecer o apoio necessário para desenhar ou conversar. Também precisamos definir quem pode rever o acordo. Uma divisão decidida apenas por quem integra o grêmio corre o risco de repetir o problema que pretende enfrentar. A revisão deve incluir jogadores e pessoas que escolheram outras atividades, inclusive aquelas que ficaram na sala. Um portão aberto e uma possibilidade de participação não são a mesma medida; nosso acordo precisa prestar atenção às duas.