Uma mostra escolar de trabalhos recebeu mais visitantes neste ano. O dado merece ser registrado, mas não responde sozinho à pergunta que importa à organização: as pessoas conseguiram conhecer os projetos e conversar com seus autores? Contar entradas mede um aspecto do acesso. Para avaliar a experiência, precisamos ouvir o que aconteceu depois da porta. Na primeira tarde, estudantes anotaram o total de pessoas que chegaram. Ao fim do evento, alguns expositores disseram que mal tinham conseguido explicar seus trabalhos, porque as filas avançavam depressa. Outros relataram conversas longas. Esses depoimentos sugerem diferenças entre os espaços, mas não permitem medir a experiência do conjunto dos visitantes. Tampouco mostram que a maior presença causou a pressa em cada sala. Defendo que a próxima mostra mantenha a contagem e acrescente perguntas breves, voluntárias, ao final do percurso. Seria útil perguntar quais projetos a pessoa conseguiu visitar, onde encontrou dificuldade e se pôde conversar quando desejou. O registro não precisa colher nomes. Deve informar quantas pessoas responderam e evitar apresentar os voluntários como se fossem todos os presentes. Há quem receie que avaliar a experiência tire tempo da organização. Essa objeção é pertinente: um questionário longo pode criar outra fila. Por isso, a proposta deve ser testada em um período limitado, com poucas perguntas e alternativas de participação depois da visita. Se o procedimento atrapalhar a circulação, precisará ser revisto. O aumento de público pode ser motivo de comemoração e de trabalho adicional. Celebrar o número não nos obriga a usá-lo como resposta para qualquer pergunta. Uma mostra que aprende com seus registros pode melhorar o acesso sem perder de vista o encontro entre trabalhos e pessoas. O sucesso que buscamos tem mais de uma dimensão; seus indicadores também precisam ter.