Luana organizou uma oficina de desenho e enviou o convite ao grupo da turma. Duas horas depois, havia poucas respostas. “Ninguém se interessa”, disse, fechando o caderno em que planejara as atividades. Eu vi que várias pessoas tinham lido a mensagem e concordei. O silêncio do grupo parecia uma resposta que não precisava de palavras. No dia seguinte, André perguntou se a oficina aconteceria antes ou depois da aula. O convite dizia apenas sexta-feira. Júlia perguntou se precisava levar material; seu estojo tinha um lápis quase no fim. Outra colega queria saber se poderia sair no horário do ônibus. Luana respondeu a cada pergunta, mas ainda achava que eram desculpas. Na biblioteca, encontramos uma estudante de outra turma que queria participar. Ela não fazia parte do grupo em que o convite circulara. Luana começou a explicar a oficina e percebeu que precisava repetir o horário, o material disponível e a duração. Acrescentou essas informações num novo cartaz, que deixamos no mural do corredor. Não prometeu que todos encontrariam lugar; informou o limite de vagas e uma forma de consultar a disponibilidade. Chegaram novas respostas, inclusive de quem tinha lido a primeira mensagem. André disse que agora podia combinar a saída com a família. Júlia agradeceu por saber que haveria papel e lápis para uso durante a atividade. Alguns colegas continuaram sem responder, e outros disseram que não gostavam de desenhar. A revisão do convite não transformou a turma num grupo de artistas. Mudou o que era possível saber antes de decidir. Na sexta, a oficina reuniu pessoas de duas turmas. Luana anotou o que precisaria informar melhor numa próxima edição. Ao guardar o primeiro convite, não escreveu fracasso na página. Escreveu versão incompleta. Eu olhei para a mensagem ainda sem resposta de um colega e, pela primeira vez, resisti à vontade de traduzir aquele silêncio sozinho.