Entrevista escrita fictícia. O jornal escolar conversou com uma responsável por um pequeno acervo de fotografias do bairro. A equipe queria montar uma exposição sobre a praça. Antes de selecionar imagens, perguntou como distinguir informação registrada de lembrança posterior. Jornal: Uma fotografia antiga informa como toda a praça era usada? Responsável: Ela mostra um enquadramento de um momento. Pode haver pessoas e atividades fora da imagem. Uma foto de domingo, por exemplo, não descreve o uso de todos os dias. Precisamos saber, quando possível, a data, a autoria e o motivo de produção. Se algo não está identificado, a legenda deve informar essa ausência, em vez de completá-la com uma suposição. Jornal: E quando um morador reconhece alguém ou conta uma história? Responsável: O relato é valioso, mas deve ter atribuição. Podemos escrever que determinada pessoa reconheceu o local ou contou uma lembrança, indicando quando ocorreu a conversa. Outros relatos podem acrescentar ou divergir. Não é necessário apagar uma diferença só para deixar a exposição com uma história única. Também precisamos de cuidado com informações pessoais e de autorização adequada para o uso de materiais e depoimentos. Jornal: Encontramos duas legendas com datas diferentes para a mesma foto. Qual escolhemos? Responsável: Primeiro, procurem o registro de onde cada data veio. A mais antiga não é automaticamente a mais confiável, e a mais recente pode repetir um erro. Se a divergência continuar, apresentem a incerteza. Uma legenda pode dizer que há duas atribuições de data ainda não confirmadas. Isso é mais útil que uma precisão inventada. Jornal: Uma exposição assim não fica incompleta? Responsável: Fica aberta a perguntas. Podemos mostrar o que sabemos, de onde veio a informação e o que falta conferir. O público talvez ajude a localizar outro documento, mas sua participação não deve ser apresentada como pesquisa já concluída. Conservar uma fotografia também é conservar as condições para que alguém volte a examiná-la.