Dois cartazes sobre a participação numa feira apresentavam os mesmos valores para três anos. Num deles, as colunas pareciam crescer de forma muito acentuada; no outro, a diferença visual era pequena. A turma começou por procurar um erro nas contas. Os números inscritos sobre cada coluna coincidiam. A divergência vinha da escala: um eixo começava perto do menor valor e o outro começava em zero. A professora explicou que as colunas representam os totais pela sua altura e, por isso, devem partir de zero. Recortar o eixo pode exagerar a relação entre as quantidades, mesmo quando os números estão certos e o recorte está indicado. Para estudar pequenas variações, é preferível apresentar as diferenças num quadro ou usar um gráfico de linhas com a escala claramente assinalada. Nesse gráfico, a posição dos pontos mostra a mudança; não se compara a altura de colunas como se ela representasse os totais. A turma descobriu outra diferença no título. Um cartaz dizia «A feira conquista o bairro»; o outro, «Entradas registadas na feira». O primeiro ligava a contagem a uma interpretação sobre popularidade. Porém, os registos eram de entradas, não de moradores diferentes. Uma pessoa podia entrar duas vezes e visitantes de outros lugares também eram contados. O segundo título descrevia melhor a informação disponível, embora não respondesse sozinho à pergunta sobre interesse pelo evento. Para preparar um terceiro cartaz, os alunos decidiram manter a escala completa e acrescentar uma nota com a unidade de contagem. Num quadro ao lado, mostraram a variação entre anos, sem usar a altura das colunas como medida dessa diferença. O desenho tornava mais fácil distinguir quantidade e crescimento. As anotações ocupavam espaço, mas evitavam que a imagem oferecesse uma conclusão sem os seus limites. O trabalho terminou com uma pergunta: qual cartaz seria mais útil para decidir o tamanho da próxima feira? A resposta não dependia apenas da escolha de escala. Seria necessário conhecer horários de maior movimento, permanência dos visitantes e condições de cada edição. O gráfico podia orientar a decisão; a forma de o ler determinava quais perguntas continuavam por fazer.