Um grupo de alunos preparou um estudo fictício sobre o mercado de uma vila. Dispunha de dois tipos de fonte: livros de registo de bancas ocupadas e entrevistas a comerciantes. Nos livros, o número de bancas aumentara durante certo período. Nas entrevistas, vários participantes recordavam esses anos como uma época difícil. A primeira síntese apresentou a diferença como contradição: ou os números estavam errados ou as memórias deformavam o passado. A orientadora pediu que identificassem a pergunta a que cada fonte respondia. Os registos contavam lugares ocupados, sem indicar vendas, rendimentos ou tempo de permanência dos vendedores. As entrevistas descreviam experiências de trabalho, incluindo despesas e mudanças de clientela. Um mercado podia ter mais bancas e, ao mesmo tempo, oferecer condições económicas menos favoráveis a alguns comerciantes. As duas fontes não mediam a mesma coisa. Os alunos voltaram às entrevistas. Uma vendedora recordava sobretudo os primeiros meses depois da mudança de pavilhão; outro falava de um intervalo de vários anos. A expressão «nessa altura» parecia ligar os testemunhos, mas não fixava por si o mesmo período. O grupo anotou as referências temporais e distinguiu o que o entrevistado vivera do que ouvira contar. Não tratou a memória como documento inferior: procurou compreender o seu alcance específico. Havia também limites nos livros. Uma nota explicava que, após a mudança, os espaços pequenos tinham passado a ser registados separadamente. Parte do aumento podia relacionar-se com essa alteração administrativa. Isso não provava que o mercado não crescera. Mostrava que a série exigia uma verificação antes de comparar diretamente os totais. O modo de contar fazia parte da informação histórica. A nova síntese organizou as fontes por perguntas: ocupação do espaço, experiência económica e efeitos da mudança. Indicou as divergências que permaneciam e as coincidências que tinham apoio. O estudo deixou de procurar uma fonte vencedora e passou a reconstruir um problema com escalas diferentes. Na apresentação, os alunos conservaram um testemunho particularmente expressivo, mas não o usaram como retrato de todos os vendedores. Explicaram também por que motivo os números precisavam de contexto. Uma voz podia tornar um problema visível sem o quantificar; uma contagem podia mostrar uma mudança sem explicar a sua experiência. A comparação ganhava sentido quando respeitava ambas as capacidades.