Numa assembleia de alunos fictícia, a mesa contou as intervenções orais para avaliar a participação. O número parecia uma medida simples: quem falara mais teria participado mais. No entanto, uma aluna entregara um levantamento de problemas de acesso à escola sem pedir a palavra. Outro colega fizera três intervenções que repetiam a mesma proposta. A contagem registava turnos de fala; o seu significado como avaliação exigia uma escolha de critérios. Defendo que a participação deve ser observada em várias formas, incluindo preparação, escuta e contribuição para uma decisão. Esta posição não torna indiferente falar ou ficar calado. Uma intervenção oral pode esclarecer uma objeção no momento certo, e o silêncio pode resultar de desinteresse. Mas também pode traduzir a opção de ouvir, uma dificuldade em entrar na discussão ou a entrega prévia de informação pertinente. O mesmo comportamento visível admite relações diferentes com o trabalho coletivo. A mesa receou que critérios mais amplos fossem difíceis de aplicar. A objeção é séria: uma avaliação vaga pode depender da simpatia pelo participante. Por isso, proponho associar cada critério a sinais observáveis. Para a preparação, pode considerar-se a apresentação de informação relevante; para a escuta, a retoma fiel de um argumento alheio; para a decisão, a identificação de uma consequência ou de uma alternativa. Não se trata de adivinhar intenções, mas de tornar os juízos discutíveis. Também não bastaria criar uma lista e somar sinais. Uma informação pode ser extensa e pouco pertinente; uma única intervenção pode alterar a compreensão do problema. A avaliação precisa de explicar a relação entre a contribuição e a tarefa em discussão. Se o levantamento de acesso foi usado para rever uma proposta, esse uso é uma pista mais forte do que o número de páginas entregue. A experiência da assembleia não demonstra que a minha proposta funcione em cada turma. Justifica testá-la com critérios conhecidos antes da reunião e exemplos comentados depois. Os participantes devem poder compreender a avaliação e contestar uma interpretação. Uma medida fácil de contar tem vantagens práticas; perde valor quando a sua simplicidade apaga precisamente a diversidade de contributos que a assembleia precisa de reconhecer.