Um relatório fictício sobre deslocações escolares apresentou o tempo médio de viagem de uma turma antes e depois de uma alteração do transporte. A média diminuíra. No boletim, a notícia recebeu o título «A turma chega mais depressa». O relatório continha, contudo, uma tabela em que alguns percursos tinham ficado mais curtos e outros mais longos. O valor coletivo resumia uma distribuição; não descrevia a mudança de cada aluno. A equipa que preparara o relatório explicou que a média servia para comparar o conjunto nas duas situações. Era uma informação pertinente para avaliar o funcionamento global. Não permitia, sem observar os dados individuais, saber quem beneficiara ou quem passara a esperar mais. Um percurso muito reduzido podia contribuir para uma média menor enquanto outros aumentavam. A utilidade do indicador dependia da pergunta feita. A representante dos alunos defendeu que o título devia mencionar o tempo médio. Para discutir o acesso, pediu também a apresentação de grupos de percursos. Não sugeriu substituir números por impressões pessoais. Queria que as experiências fossem relacionadas com os registos, sobretudo quando a melhoria coletiva convivia com dificuldades localizadas. Uma medida podia ter um efeito favorável no conjunto e continuar a exigir reparações concretas. O coordenador respondeu que mostrar cada percurso tornaria o boletim pesado e poderia expor informações desnecessárias. A objeção era relevante, mas não obrigava a escolher entre uma média isolada e a identificação de alunos. A equipa preparou intervalos de duração e indicou quantos percursos tinham aumentado ou diminuído, sem publicar nomes nem moradas. O resumo ficou mais informativo sem se tornar um inventário pessoal. No texto final, o título distinguiu a mudança média da experiência de toda a turma. A tabela resumida permitia perceber a diversidade dos efeitos. Ficaram por comparar as condições dos trajetos: tempo de espera, número de mudanças e regularidade do serviço. O relatório não se transformou numa decisão pronta; ofereceu um ponto de partida mais adequado à discussão. Ler um indicador exige, por isso, conservar a diferença entre síntese e uniformidade. A média é uma forma de olhar para o conjunto, não uma autorização para pôr a mesma experiência na voz de cada pessoa. A pergunta sobre eficácia e a pergunta sobre distribuição dos efeitos podem apoiar-se no mesmo estudo, desde que não se confundam.