Na primeira tarde do clube de leitura, Leonor escolheu o banco junto à porta. Trazia um livro de aventuras, mas manteve-o fechado sobre os joelhos. Os colegas já estavam sentados em círculo. Quando Rui lhe fez sinal, ela levantou os olhos e voltou a olhar para o corredor. Rui pensou que a colega queria ficar sozinha. Foi buscar uma cadeira e pousou-a longe do banco, para não a incomodar. Leonor agradeceu, sem se mover. Lá fora, a chuva batia nos vidros e os alunos que passavam sacudiam os casacos. Pouco depois, chegou a irmã mais nova de Leonor, acompanhada pela auxiliar. Leonor tinha combinado esperar por ela antes de entrar no clube. As duas juntaram-se ao círculo; a irmã sentou-se na cadeira que Rui trouxera. Leonor abriu o livro na página marcada por um bilhete amarelo. No fim, Rui contou porque deixara a cadeira afastada. Leonor explicou o combinado e sorriu: «A cadeira deu jeito, mesmo assim.» Rui percebeu que tinha interpretado um gesto sem conhecer o motivo. Na tarde seguinte, antes de escolher onde colocar outra cadeira, perguntou a quem estava à porta se precisava de ajuda.