Miguel encontrou um bilhete no bolso do casaco emprestado pelo primo. Dizia apenas: «Não te esqueças de devolver antes de sexta-feira.» Miguel imaginou que o primo precisava do casaco para uma viagem. Dobrou o bilhete e guardou-o na mochila. Na quinta-feira, foi à casa do primo com o casaco cuidadosamente dobrado. A tia abriu a porta e estranhou a pressa. Miguel explicou o recado. Ela riu-se ao ler o papel e chamou o filho, que veio da cozinha com uma colher na mão. O primo reconheceu o bilhete: tinha-o escrito para lembrar a devolução de um livro da biblioteca. Depois, colocara o papel no casaco para o levar consigo. O casaco não tinha data de devolução combinada. Miguel abriu a mochila e encontrou, ao lado do bilhete, o livro que o primo também lhe emprestara naquele dia. Voltaram a ler a frase. Ela não nomeava o objeto a devolver, e o lugar onde fora encontrada sugeria o casaco sem provar essa interpretação. O primo acrescentou o título do livro ao bilhete. Miguel decidiu perguntar quando um recado deixasse por dizer a informação de que precisava. O papel era pequeno, mas o mal-entendido ocupara uma caminhada inteira.