Quando acabou o ensaio de música, Vasco viu luz por baixo da porta da sala de desenho. O corredor estava quase vazio. Pensou em bater, mas tinha pressa de apanhar o autocarro. No dia seguinte, contou que alguém ficara a trabalhar até tarde. Rita, que arrumara os materiais de desenho, perguntou a que horas ele passara. Explicou que saíra antes do ensaio terminar e que a luz da sala ficava acesa durante a limpeza. Não tinha visto quem entrara depois dela. Vasco reparou que a sua frase juntava uma observação certa a uma presença que não confirmara. À tarde, os dois encontraram o funcionário que fazia a limpeza. Ele explicou que, naquele dia, começara pela outra ponta do corredor. Só chegara à sala de desenho depois de o autocarro partir. A luz podia estar acesa antes de ele entrar; alguém a deixara ligada ao sair, mas ele não sabia quem. Vasco corrigiu o relato no grupo: tinha visto luz, não uma pessoa a trabalhar. Não transformou a explicação de Rita numa identificação do responsável pela luz. A nova versão ficou menos misteriosa e mais exata. Ao passar novamente pela porta, reparou no retângulo luminoso no chão: continuava a ser um sinal, mas já não lhe parecia uma história completa.