Esta biografia ficcional apresenta Leonel, uma pessoa inventada para a atividade. Em criança, Leonel recolhia embalagens para construir pequenos cenários. Aos dezasseis anos, colaborou no teatro da escola, preparando uma praça de cartão. Não recebeu um prémio por esse trabalho, mas o programa da peça registou o seu nome entre os responsáveis pelo cenário. Mais tarde, aprendeu a reparar móveis numa oficina. Guardava desenhos das peças antes e depois da reparação. Anos depois, quando organizou uma pequena exposição desses desenhos, escolheu mostrar também os trabalhos que tivera de refazer. Queria tornar visível o processo, e não apenas o resultado mais conseguido. A autora fictícia da biografia consultou o programa escolar e o catálogo da exposição. Usou esses documentos para situar duas atividades. Sobre a infância, dispunha apenas de uma recordação contada por Leonel. Atribuiu-lhe esse relato, evitando tratá-lo como uma descrição verificada de cada dia da sua infância. Um leitor sugeriu o título «O artista premiado desde a escola». A autora preferiu «Cenários, móveis e desenhos». O primeiro acrescentava um prémio que os documentos não mostravam e que o próprio relato negava. O segundo aproximava três momentos de uma vida sem reduzir as mudanças a uma sequência de vitórias. Os desenhos refeitos podiam ajudar a compreender essa escolha: aprender também deixara marcas no percurso.