Dois comentários fictícios avaliam a mesma apresentação de teatro escolar. Lara assistiu da primeira fila. Escreveu que os gestos das personagens tornavam claras as mudanças de humor e elogiou a cena sem falas em que uma personagem hesitava junto à porta. Para ela, o silêncio prolongava a dúvida. André sentou-se no fundo da sala, perto de uma coluna. Na sua crítica, disse que alguns gestos eram difíceis de ver e que a cena silenciosa lhe parecera demasiado longa. Não comentou o que não conseguira observar. Pediu que, noutra apresentação, a posição dos atores permitisse ver a cena de lugares diferentes. O jornal quis escolher um comentário como descrição do espetáculo. A editora percebeu que os dois textos combinavam observação e apreciação, a partir de lugares distintos. A duração da cena podia ser medida; considerá-la adequada ou excessiva envolvia também o efeito que cada espectador esperava. Nem a proximidade nem a distância transformavam o gosto numa medição. Publicaram os dois comentários, indicando os lugares de onde os autores tinham assistido. Acrescentaram uma pergunta aos leitores: «Que pistas do espetáculo apoiam a vossa apreciação?» A opção não declarava que qualquer juízo fosse igualmente sustentado. Convidava a ligar uma opinião a aspetos observados e a reconhecer as condições que podiam limitar essa observação.