Comentário fictício. Uma fotografia do jornal escolar mostra três alunos inclinados sobre uma mesa. Entre eles há cartões, um lápis e uma folha dobrada. A legenda inicial diz: «A turma resolve em conjunto um problema.» O enquadramento não mostra o resto da sala nem permite ler o que está nos cartões. Sofia considera que a proximidade dos alunos sugere trabalho partilhado. Daniel observa que a fotografia também seria compatível com cada um preparar uma parte diferente. Os dois distinguem o que veem de uma interpretação do trabalho. A imagem mostra a posição dos corpos e objetos; não torna visíveis as instruções da atividade. A editora consulta o registo da aula. Nele, lê que o grupo fotografado preparava cartões para explicar três procedimentos diferentes. A professora acrescenta que a explicação foi depois apresentada à turma. A informação confirma uma atividade conjunta daquele grupo, mas não que, no momento da fotografia, a turma inteira resolvesse um único problema. A nova legenda identifica o grupo e a preparação dos cartões, citando o registo da aula como fonte. O comentário final defende que uma imagem pode iniciar uma pergunta sem responder a tudo o que a legenda promete. A consulta adicional não apaga a fotografia: ajuda a reconhecer quais afirmações se apoiam nela e quais dependem de outra fonte. A leitura crítica exige conservar essa diferença, em vez de escolher entre acreditar na imagem ou rejeitá-la.