Reportagem fictícia. À entrada da cantina, a repórter do jornal escolar observou uma fila durante o intervalo de almoço. Anotou que ela chegava à porta do corredor quando começou a servir-se a sopa. Dez minutos depois, a fila terminava antes dessa porta. Não contou as pessoas nem acompanhou a fila nos restantes dias da semana. Um aluno disse que, na sua experiência, esperar era a parte mais difícil do almoço. Uma funcionária explicou que, naquele dia, duas pessoas distribuíam pratos. A repórter registou as declarações com os respetivos autores. A observação da fila, a avaliação do aluno e a informação da funcionária tinham origens e funções distintas. O rascunho trazia o título «Mais funcionários acabam com a espera». A editora perguntou como se sabia que a redução da fila resultava do número de funcionários. A repórter não tinha observado uma situação comparável com outra equipa. Também não sabia se, nesse segundo momento, chegavam menos alunos. Alterou o título para «A fila encurtou durante a observação». A versão final incluiu os dois momentos e os limites do registo. Propôs observar outros dias, contando chegadas e tempos de espera, antes de explicar a diferença. O texto não retirou valor à experiência do aluno: a sua dificuldade continuou atribuída a ele. Apenas evitou que uma experiência individual ou uma mudança vista num intervalo se tornasse explicação suficiente para o funcionamento da cantina.