O jornal escolar publicou duas críticas a um jardim recentemente remodelado. Inês elogiou os bancos junto do caminho principal: tinham encosto e ficavam perto da entrada. André considerou a intervenção pouco útil, porque, ao meio-dia, esses bancos estavam ao sol. Ambos visitaram o mesmo lugar, mas em momentos diferentes e com perguntas diferentes. Inês acompanhara a avó, que tinha dificuldade em andar. A distância entre a entrada e o primeiro banco fora importante para a visita. André levara um livro e procurara um sítio onde pudesse permanecer durante a pausa de almoço. No seu comentário, chamou aos novos bancos «cadeiras de espera sem teto». A expressão sugeria que permitiam parar, mas não ficar confortavelmente durante o tempo que ele desejava. A editora pediu aos dois autores que identificassem os critérios das suas críticas. Inês passou a escrever sobre proximidade e apoio ao sentar. André esclareceu que avaliava a sombra no horário da sua visita. Nenhum dos critérios anulava o outro. Um banco podia facilitar uma pausa curta junto da entrada e ser uma escolha menos adequada para ler ao meio-dia. Um terceiro aluno trouxe uma fotografia tirada ao fim da tarde, com os bancos à sombra. Pensava que ela resolvia a discussão. A editora discordou: a fotografia ajudava a perceber uma mudança ao longo do dia, mas não corrigia retroativamente a experiência de André. Também não mostrava como a avó de Inês percorrera o caminho. O texto final manteve as duas críticas e acrescentou os seus contextos. Em vez de perguntar qual autor tinha observado o jardim verdadeiro, convidava o leitor a relacionar cada apreciação com uma necessidade e um momento. A remodelação deixava de parecer excelente ou inútil em bloco; tornava-se uma intervenção cujos efeitos podiam ser discutidos com critérios concretos.