Uma turma queria perceber por que motivo duas zonas do pátio pareciam ter temperaturas diferentes. Num lado havia uma árvore; no outro, um toldo. Durante uma tarde, os alunos colocaram um termómetro em cada zona e anotaram as leituras. Debaixo da árvore, o valor registado foi menor. No jornal escolar, alguém propôs o título «Árvores arrefecem mais do que toldos». A professora pediu que olhassem para o caderno de campo antes de escolher o título. O aparelho da árvore estava mais afastado do pavimento e começara a medir alguns minutos depois do outro. Além disso, o toldo cobria uma área pequena, rodeada por chão ao sol. Uma diferença observada podia resultar de várias condições, não apenas do material que fazia sombra. A turma desenhou uma nova comparação. Usaria aparelhos iguais, à mesma altura, com registos simultâneos, e repetiria a observação em vários dias. Anotaria também o estado do tempo e a posição dos aparelhos. Estes cuidados não apagavam a primeira leitura: permitiam fazer uma pergunta mais precisa sobre ela. Os alunos distinguiam agora um resultado obtido numa tarde de uma explicação que exigia mais apoio. O texto publicado descreveu a tentativa e as suas limitações. Explicou que as folhas podem participar em processos de troca de água com o ambiente, mas que a experiência da turma não isolara esse mecanismo. Saber que um processo existe não permite atribuir-lhe diretamente uma diferença medida. O título passou a ser «Duas sombras, uma comparação por melhorar». Ao comentar o trabalho, a turma concluiu que registar as condições fazia parte do resultado. Sem esse registo, uma medição parecia uma resposta completa. Com ele, tornava-se uma pista que outras observações podiam confirmar, modificar ou contrariar.