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A linha no vidro

1-serie-em-es-diurno · narrativo

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A papelaria de minha rua fechou durante as férias. Quando voltei às aulas, a vitrine estava vazia, mas ainda havia no vidro uma linha desenhada com caneta. Eu conhecia aquela marca: o dono encostava as caixas de lápis nela para alinhar a exposição. Sem as caixas, parecia um traço sem função.

Passei diante da loja algumas vezes antes de notar que alguém tinha colocado um cartaz por dentro: Aluga-se. A linha cortava a parte de baixo das letras. Pensei em fotografar o vidro para um trabalho sobre mudanças no bairro. Meu primeiro comentário dizia que o comércio local estava desaparecendo. A professora perguntou quantas lojas eu tinha observado e que outras informações sustentavam a conclusão. Eu tinha observado uma.

Voltei à rua para conversar com pessoas que quisessem contar algo sobre aquele espaço. Uma vizinha lembrava o lugar como ponto de encontro. Um estudante dizia que quase não comprava ali, porque precisava de materiais que não encontrava. A antiga funcionária contou que o proprietário se aposentara. Nenhuma dessas falas, sozinha, explicava a situação de todas as lojas. Juntas, ampliavam a história daquele fechamento.

Na página final, coloquei a fotografia e três trechos atribuídos. Retirei a frase sobre desaparecimento do comércio e escrevi sobre a papelaria observada. Não concluí que as lembranças positivas anulavam a dificuldade do estudante, nem que sua dificuldade apagava o papel do lugar para a vizinha. O vidro guardava uma linha; as falas, usos que não cabiam no mesmo comentário.

Meses depois, uma oficina de conserto abriu no ponto. A vitrine recebeu ferramentas, e a linha foi apagada. Fiz outra fotografia. A primeira não passou a ser mentira: continuava registrando um momento, com sua pergunta ainda visível. Coloquei as imagens lado a lado e escrevi as datas. Dessa vez, a mudança não precisava virar desaparecimento para parecer importante.

vitrine
Parte envidraçada usada para expor objetos.
vestígio
Marca que permanece de algo anterior.
  1. Escolhe uma opção.

    Por que a professora questiona o primeiro comentário?

    • O novo anúncio confirmou uma tendência de desaparecimento das lojas do bairro.
    • O fechamento de uma papelaria foi tratado como evidência de uma tendência de desaparecimento do comércio do bairro.
    • Os relatos explicaram uma causa comum, mas o comentário registrou apenas o fechamento.
  2. Escolhe uma opção.

    Como os relatos do terceiro parágrafo se relacionam?

    • Apresentam usos e informações diferentes sobre o mesmo fechamento.
    • Permitem escolher uma versão que apaga as demais.
    • Explicam o fechamento pela combinação de pouca variedade e aposentadoria.
  3. Escolhe uma opção.

    Que papel a linha no vidro assume ao longo do relato?

    • Passa de marca funcional a vestígio associado a uma experiência anterior.
    • Identifica a pessoa que escreveu o anúncio de aluguel.
    • Passa a representar a continuidade da função comercial entre as duas lojas.
  4. Indica se a afirmação é verdadeira ou falsa.

    Julgue a afirmação à luz do texto: A fotografia antiga perde seu valor documental quando outro negócio abre no ponto.

  5. Escolhe uma opção.

    Qual procedimento permite usar as duas fotografias sem repetir o problema do primeiro comentário?

    • Apresentar a oficina atual como continuação da papelaria, pois ocupa o mesmo endereço.
    • Datar as fotos e descrever a mudança desse local, sem generalizar.
    • Apresentar a imagem recente como correção do registro antigo, pois mostra o uso atual do lugar.
  6. Escolhe uma opção.

    Qual sentido a última frase constrói para a mudança?

    • A chegada da oficina indica que a mudança anterior foi apenas de proprietário.
    • A relevância da mudança depende de confirmar uma tendência em outras lojas.
    • Uma mudança local importa sem provar desaparecimento do comércio.

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