10.º anoPercurso edumaterial
O que vais aprender
- Aplicar duas perguntas éticas diferentes a um caso sem reduzir Kant a regras cegas nem Mill a vantagem pessoal.
Compreender
Uma aluna encontra um caderno perdido antes de uma prova. Entregá-lo pode ajudar o dono, mas exige interromper a sua preparação. O caso permite distinguir modos de fundamentar uma decisão. Numa leitura deontológica inspirada em Kant, perguntamos pela máxima da ação: poderíamos querer como regra geral apropriar-nos de cadernos encontrados quando isso nos convém? O respeito pela pessoa que perdeu o objeto e a possibilidade de universalizar a máxima contam mais do que calcular um benefício imediato. Agir por dever envolve reconhecer a razão moral da ação, não apenas coincidir exteriormente com uma regra por receio de castigo.
Numa leitura utilitarista inspirada em Mill, examinamos as consequências prováveis para todos os envolvidos. Devolver o caderno pode evitar prejuízo relevante ao dono; perder alguns minutos de estudo também conta na avaliação. O princípio da utilidade não significa procurar só o próprio prazer, nem permite ignorar danos previsíveis a terceiros. A comparação exige identificar quem é afetado, quais os resultados plausíveis e que informação falta. Não podemos atribuir números exatos de felicidade a partir desta história curta.
As duas abordagens podem recomendar devolver o caderno, mas por razões diferentes. Concordar no resultado não elimina o desacordo sobre o critério moral. Para avaliar um caso mais difícil, como uma promessa que teria consequências penosas, a tensão pode tornar-se maior. Nesta unidade formulamos uma máxima e uma comparação de efeitos, sem pretender resolver todas as objeções às duas teorias. O desenho põe lado a lado perguntas distintas; não mostra Kant e Mill em pessoa nem representa um algoritmo moral automático.
Exemplo resolvido
Uma pessoa pode mentir para conseguir uma vaga que ajudaria cinco amigos. Como diferem duas avaliações éticas da ação?
- Uma avaliação de dever pergunta se a máxima de mentir pode valer como regra moral universal.
- Uma avaliação consequencialista pondera efeitos da mentira para todas as pessoas afetadas.
- A contagem de cinco amigos não basta sem considerar dano aos restantes candidatos.
Kant e Mill orientam perguntas diferentes; o caso exige razões adicionais para um juízo final.
Atenção ao erro
Erro a evitar: Quanto lucro pessoal resulta da ação. Correção: Kant: examinar máxima universalizável e respeito pela pessoa; Mill: avaliar consequências para todos os afetados.

Verifica agora
Na secção «Compreender», que pergunta é típica da análise kantiana?
Ver solução explicada
Resposta: Se a máxima da ação pode valer universalmente sem contradição.
Identifica o critério.
Na secção «Compreender», mill avalia apenas o prazer da aluna?
Ver solução explicada
Resposta: Não; considera o bem-estar dos afetados.
Evita egoísmo atribuído ao utilitarismo.
Na secção «Compreender», duas teorias podem recomendar a mesma ação por razões diferentes?
Ver solução explicada
Resposta: Sim; devolver o caderno pode ter fundamentos distintos.
Separa resultado e justificação.
O caso mede a felicidade de cada pessoa com exatidão?
Ver solução explicada
Resposta: Não; faltam dados sobre consequências e intensidade.
Declara limite da simulação.
Alinhamento curricular e fontes
- Fundamentação da moral: ética deontológica de Kant e ética utilitarista de Mill, página 9–10. Objetivo oficial parafraseado: Comparar os conceitos e argumentos nucleares das éticas de Kant e Mill na avaliação de uma ação.. O exemplo, a sequência e os exercícios são editoriais. · Aprendizagens Essenciais · filosofia-pt · 10-ano

