Saltar para o conteúdo
edumaterial.netMudar idioma

Voltar a Filosofia

Duvidar metodicamente não é desistir de conhecer

11.º anoPercurso edumaterial

O que vais aprender

  • Explicar a função da dúvida metódica e o alcance do cogito sem transformá-lo em prova de todo o mundo exterior.

Compreender

Um lápis parece quebrado quando parcialmente mergulhado em água. Uma aluna pergunta se pode confiar de imediato nos sentidos. O lápis não ficou necessariamente partido: a aparência muda por causa da luz ao atravessar água e ar. O exemplo mostra que uma perceção pode enganar em certas condições. Descartes usa a dúvida metódica de modo mais radical e controlado: suspende provisoriamente crenças que admitem dúvida para procurar um ponto de partida firme. Não é uma recomendação para ignorar sempre os sentidos nem uma afirmação de que toda a ciência é falsa. O método põe à prova fundamentos do conhecimento.

Mesmo se estiver enganado quanto ao lápis, quem duvida está a pensar. O cogito exprime essa certeza ligada ao próprio ato de pensar: se penso, existo enquanto ser pensante. É uma resposta ao desafio cético num âmbito preciso. Daí não segue, sem argumentos adicionais, que o lápis fora da água tem a forma vista nem que todas as outras pessoas existem exatamente como parecem. A passagem a outras verdades integra etapas posteriores da filosofia cartesiana, não contidas neste caso simples.

Ao reconstruir o argumento, separa-se o exemplo sensorial da tese filosófica. Primeiro identifica-se o motivo de dúvida; depois pergunta-se se duvidar de tudo inclui duvidar de que se duvida. A resposta cartesiana ressalta o ato de pensar que a própria tentativa de negação pressupõe. Uma objeção pode questionar como se passa da experiência de pensamento a uma teoria completa do sujeito. O desenho do lápis é um gatilho pedagógico, não a fonte histórica do cogito nem prova de uma metafísica acabada.

Exemplo resolvido

Uma vara parece curva na água e reta fora dela. Como usar esta discrepância numa dúvida metódica?

  1. A diferença perceptiva mostra que aparências sensíveis podem enganar em certas condições.
  2. Suspendo o juízo imediato sobre a forma da vara e procuro critério melhor.
  3. Duvidar metodicamente procura fundamento seguro, não exige rejeitar definitivamente toda percepção.

O caso justifica examinar os sentidos antes de tomar aparência por certeza.

Atenção ao erro

Erro a evitar: Provar que nada pode ser conhecido. Correção: O engano perceptivo motiva a dúvida; o ato de duvidar permite afirmar a existência de quem pensa nesse ato.

Lápis visto através da água e estudante a interrogar a confiança imediata na perceção.
Explicar a função da dúvida metódica e o alcance do cogito sem transformá-lo em prova de todo o mundo exterior.

Verifica agora

  1. Ver a ilustração

    Na secção «Compreender», qual é a função da dúvida metódica?

    Ver solução explicada

    Resposta: Testar fundamentos para procurar uma certeza firme.

    Caracteriza o método.

  2. Ver a ilustração

    Na secção «Compreender», que permanece no próprio ato de duvidar?

    Ver solução explicada

    Resposta: Que há pensamento e, nesse ato, um sujeito pensante.

    Reconstrói o cogito.

  3. Ver a ilustração

    Na secção «Compreender», o lápis parece quebrado; isso prova que está partido?

    Ver solução explicada

    Resposta: Não; aparência e estado do objeto devem distinguir-se.

    Avalia a perceção.

  4. Ver a ilustração

    O cogito prova sozinho todas as outras pessoas?

    Ver solução explicada

    Resposta: Não; seriam precisos argumentos adicionais.

    Reconhece o alcance limitado.

Alinhamento curricular e fontes

  • Conhecimento: Descartes, dúvida metódica e cogito na resposta racionalista, página 6. Objetivo oficial parafraseado: Clarificar conceitos e argumentos da resposta racionalista de Descartes ao problema do conhecimento.. O exemplo, a sequência e os exercícios são editoriais. · Aprendizagens Essenciais · filosofia-pt · 11-ano