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Muitos amanheceres não são uma prova dedutiva

11.º anoPercurso edumaterial

O que vais aprender

  • Distinguir expectativa bem apoiada pela experiência de demonstração lógica do futuro.

Compreender

Durante muitos dias, uma turma observa o sol nascer; pergunta se as observações passadas provam logicamente o amanhecer seguinte. As observações acumuladas sustentam uma expectativa muito forte, útil para orientar a vida e a ciência. No entanto, Hume pergunta se a passagem de casos observados para um caso futuro é uma dedução necessária. A conclusão sobre amanhã não está contida logicamente em cada observação passada. Para justificá-la apelando a que a natureza continuará uniforme, precisaríamos de justificar esse próprio princípio; usar experiências anteriores para o fazer seria circular perante a questão filosófica colocada.

Hume analisa a associação entre acontecimentos repetidamente conjuntos. Quando um evento acompanha outro de modo regular, formamos o hábito de esperar o segundo após o primeiro. No caso do amanhecer, essa disposição psicológica explica a força da expectativa, mas não a transforma numa demonstração formal. O argumento não diz que devemos deixar de preparar o dia seguinte ou que todas as previsões têm igual valor. Há diferença entre uma previsão empiricamente robusta e uma necessidade lógica impossível de negar sem contradição.

É importante escolher bem o alcance do exemplo. A astronomia atual oferece modelos físicos e medições que justificam previsões mais ricas do que a simples repetição, mas também utiliza inferências apoiadas em regularidades e condições. A questão de Hume incide sobre o fundamento último dessa passagem inferencial, não sobre um erro factual acerca do movimento da Terra. A ilustração de janelas passadas e futura representa a estrutura do raciocínio; o espaço vazio não é previsão de que o Sol deixará de nascer.

Exemplo resolvido

Após cem viagens pontuais de um comboio, alguém diz que a próxima partida será pontual com necessidade lógica. O que falta?

  1. As observações passadas sustentam uma expectativa sobre regularidade.
  2. Nenhum número finito de casos torna logicamente impossível uma próxima exceção.
  3. Posso usar a previsão na prática sem confundi-la com dedução necessária.

A pontualidade futura é expectativa indutiva, não conclusão logicamente garantida.

Atenção ao erro

Erro a evitar: Podemos observar diretamente a próxima ocorrência antes de ela acontecer. Correção: A repetição fundamenta expectativa prática forte, mas não fornece por si uma dedução necessária sobre o futuro.

Sequência de observações de amanhecer e uma janela futura ainda não observada.
Distinguir expectativa bem apoiada pela experiência de demonstração lógica do futuro.

Verifica agora

  1. Ver a ilustração

    Na secção «Compreender», que dados a turma possui?

    Ver solução explicada

    Resposta: Observações de amanheceres passados.

    Distingue registo e previsão.

  2. Ver a ilustração

    Na secção «Compreender», o futuro segue dedutivamente dessas observações?

    Ver solução explicada

    Resposta: Não; a passagem é indutiva.

    Identifica o problema.

  3. Ver a ilustração

    Na secção «Compreender», que papel tem o hábito para Hume?

    Ver solução explicada

    Resposta: Explica a expectativa formada por repetição.

    Caracteriza a resposta humeana.

  4. Ver a ilustração

    A crítica impede usar previsões científicas?

    Ver solução explicada

    Resposta: Não; questiona o fundamento lógico último da indução.

    Evita conclusão cética exagerada.

Alinhamento curricular e fontes

  • Conhecimento: Hume, causa e efeito, conjunção constante, hábito e problema da indução, página 6. Objetivo oficial parafraseado: Clarificar o problema da indução e o papel do hábito na expectativa de regularidades.. O exemplo, a sequência e os exercícios são editoriais. · Aprendizagens Essenciais · filosofia-pt · 11-ano