Destacar sem mudar nada de sítio: It was Ana who called e What I need is a holiday
QECR B2
O que vais aprender
- Reconhecer as cleft sentences para dar ênfase pela forma e função discursiva.
- Escolher uma forma a partir do contexto e da evidência sem copiar um modelo.
- Justificar a resposta e excluir alternativas plausíveis.
A ideia
Quando o inglês quer destacar alguma coisa, quase nunca a muda de sítio: parte a frase em duas metades —It was Ana who called, What I need is a holiday— e põe o que importa numa delas.
O português tem duas maneiras de destacar um pedaço da frase: pô-lo à frente e marcá-lo com a entoação —«Isso já eu sabia»— ou partir a frase com «é… que» —«Foi a Ana que me ligou»—. O inglês também reforça com a voz quando se fala, mas mexer nas peças não pode: a ordem é fixa, e por escrito a entoação não se vê. Por isso, quando quer destacar alguma coisa, parte a frase. E as peças não são as mesmas: leva sempre um It à frente, usa who, that ou which no meio, e diz what onde o português diz «o que». O que se aprende aqui não é um significado novo, é um molde.
O primeiro molde é It + was/is + o que se destaca + who/that/which + o resto. De Ana called me sai It was Ana who called me. Com pessoas usa-se who, com coisas which, e that serve para as duas. É a estrutura com que se corrige alguém, e por isso traz muitas vezes um not a seguir: It was Ana who called me, not Peter.
O tempo verbal reparte-se pelas duas metades: a primeira fixa-o com is ou was, e a segunda leva o seu verbo do costume. It is Ana who calls me every Sunday. It was Ana who called me yesterday. Esse It da frente nunca muda, mesmo que o destacado seja plural —It's my parents who pay for everything—, mas o verbo da segunda metade concorda com o destacado: pay, não pays. E há uma variante que convém aprender inteira, porque se usa imenso para sublinhar que uma coisa só aconteceu tarde: It wasn't until Monday that we found out. A seguir a um dado de tempo ou de lugar, a segunda metade vai com that, não com when nem com where: It was in Rome that we met.
O segundo molde começa por What: What + sujeito + verbo + is/was + o que se destaca. What I need is a holiday. Aqui o que importa vai para o fim, e é isso mesmo que se procura, porque o inglês guarda a informação nova para o fim da frase. Serve também para destacar uma ação inteira, e nesse caso a seguir a was o verbo vai sem to: What he did was call the police. Com to também se admite, mas ouve-se bastante menos.
Neste segundo molde, quando o destacado é plural ouvem-se as duas: What we need is more chairs e What we need are more chairs. Num texto cuidado prefere-se a segunda, a que concorda com o que vem a seguir; a falar ganha a primeira. Com a mesma ideia funcionam All I want is a coffee e The only thing that matters is the result. Um aviso: What serve para coisas e para ações, não para pessoas. «Who called was Ana» não existe; diz-se The one who called was Ana ou, melhor ainda, It was Ana who called.
E isto não é um adorno de exame. É das poucas estruturas deste nível que soam igualmente bem num relatório e numa conversa, e aparece sempre que alguém desfaz um mal-entendido ou apresenta uma ideia nova. A única coisa que pede é medida: duas seguidas no mesmo parágrafo já cansam.
Moldes de foco
| {'es': 'Foco', 'pt': 'Foco', 'it': 'Focus', 'en': 'Focus'} | {'es': 'Patrón', 'pt': 'Padrão', 'it': 'Schema', 'en': 'Pattern'} | {'es': 'Modelo', 'pt': 'Modelo', 'it': 'Modello', 'en': 'Model'} |
|---|---|---|
| person/thing | It + be + focus + who/that | It was Maya who called |
| needed thing | What + clause + be + focus | What we need is time |
| action | What + subject + do + be + base | What he did was call |
| limited desire | All + clause + be + focus | All I want is quiet |
Como soa
- It was Ana who called you, not Peter.O molde com It: primeiro o que se destaca, depois who. O not a seguir mostra para que serve mesmo, para corrigir alguém.
- It wasn't until Monday that we found out.Com um dado de tempo à frente, a segunda metade vai com that. Pôr when aqui é o erro típico.
- What I need right now is a holiday.Uma só palavra, what, para todo o «o que». E o que importa, no fim.
- What she did was call the police.Para destacar a ação inteira. A seguir a was, o verbo vai sem to e sem conjugar.
- All I want is a quiet weekend.A mesma ideia com all: «a única coisa que quero». Muito frequente no inglês falado.

Agora tu
Dois ou três, para verificar que o de cima se percebeu.
Correct the contrast: Mara approved the budget, not Leo. Choose the cleft.
It was Mara who approved the budget. — A it-cleft coloca a pessoa em foco entre be e a relativa.
Focus the needed thing: We need a quieter workspace. Choose the wh-cleft.
What we need is a quieter workspace. — What we need forma uma oração declarativa e be introduz o foco.
Focus the action after did: The operator reset the system. Complete: What the operator did was ___.
reset the system — Depois de What ... did was, a ação usa o verbo base.
Quando não vale
O que quebra a regra, dito. Escondê-lo é o que faz com que te sintas enganado no exame.
- Depois de It was, o inglês de todos os dias usa me, us, him. O I das gramáticas soa antiquado e quase ninguém o diz.It was me who broke it. / It was I who broke it. (muy formal, casi solo escrito)
- Se o destacado é o objeto, o who ou o that podem tirar-se. Se é o sujeito, não: aí são obrigatórios.It was Ana I called yesterday. Not: It was Ana called me yesterday.
- A seguir a um dado de tempo ou de lugar, a segunda metade vai com that, não com when nem com where.It was in 2019 that we met. / It was here that it happened.
- O molde com What não serve para pessoas: «Who called was Ana» não existe.The one who called was Ana. / It was Ana who called.
- Quando o que se destaca é uma ação, a seguir a was o verbo vai sem to e sem conjugar.What he did was call the police. Not: What he did was called the police.
O que a tua língua te empurra a dizer
Diz-se mal Is for that that I called you. The what I need is a holiday.
Diz-se bem That's why I called you. What I need is a holiday.
O português usa «é que» a toda a hora e sem sujeito à frente: «é por isso que te liguei», «quando é que chegaste?». Como nessa fórmula não há nenhum sujeito para traduzir, começa-se a frase inglesa pelo verbo e sai «Is for that that…». O segundo hábito vem de «o que»: são duas palavras, traduzem-se duas, e sai the what. Em inglês «o que» é só what, e a primeira metade precisa sempre do It, mesmo quando parece que não faz falta nada.
Alinhamento curricular e fontes
- QECR B2 · repertório suficiente para produzir textos claros e pormenorizados, sustentar pontos de vista e interagir com fluência; situar as cleft sentences para dar ênfase e dividir B2.1/B2.2 é sequência editorial, não inventário gramatical oficial. · Common European Framework of Reference for Languages: Companion Volume
- Descrições de referência específicas do inglês usadas para verificar as cleft sentences para dar ênfase; não constituem um currículo escolar universal. · Reference Level Descriptions developed so far
Quando o tiveres claro
Uma frase inteira cabe numa palavra: sitting, written, having finishedConcordância: sujeitos que enganam e verbos que não se enganam
