
Memórias do cais
8-ano · narrativo
Memória ficcional. Quando regressei ao cais onde passeava com o meu avô, procurei o banco verde. Na minha lembrança, ficava tão perto da água que os nossos pés quase tocavam as ondas. Encontrei-o atrás de um pequeno muro, numa posição que não correspondia à imagem que trouxera.
Uma fotografia guardada pela minha mãe mostrava o mesmo banco e o muro, muitos anos antes. Reconheci o casaco do avô, mas a imagem não abrangia todo o cais. Aproximei-a da memória como quem aproxima duas peças sem saber se pertencem ao mesmo recorte. Talvez eu tivesse misturado o banco com outro lugar onde costumávamos sentar-nos.
Perguntei à minha mãe se o banco fora deslocado. Ela lembrava-se de uma obra no passeio, mas não da mudança do banco. Não podia transformar essa lembrança numa confirmação. Ao escrever o episódio, conservei o que vira na fotografia e identifiquei a proximidade das ondas como parte da recordação, que não conseguia verificar.
O meu avô já não podia responder à pergunta. Deixei a dúvida no texto. O passeio continuava a ser importante, mesmo sem a certeza da posição exata dos nossos pés. Percebi que escrever memórias não exigia fingir uma precisão que o tempo não me dera. O banco verde passou a guardar duas coisas: uma imagem de infância e a pergunta que essa imagem, ao ser relida, tinha aberto.
- abrangia
- Incluía ou mostrava numa determinada extensão.
- recordação
- Imagem ou ideia de uma experiência passada.
Escolhe uma opção.
Que discrepância leva o narrador a investigar a memória? Justifica a opção com uma pista do texto.
- A cor do banco mudou de verde para uma cor não identificada.
- A fotografia mostra o cais sem o banco e sem o avô.
- Recorda o banco junto à água, mas encontra-o atrás do muro.
Completa o espaço em branco.
Completa com o termo do terceiro parágrafo para a lembrança não verificada: parte da ___. Explica porque a fotografia não confirma a proximidade das ondas dessa lembrança.
Indica se a afirmação é verdadeira ou falsa.
A obra recordada pela mãe pode motivar uma hipótese de deslocação, mas não confirma que o banco tenha mudado. Decide e fundamenta no texto.
Escolhe uma opção.
Que limite da fotografia deve ser considerado? Justifica a opção com uma pista do texto.
- Mostra os pés junto às ondas, mas não permite reconhecer o casaco do avô.
- Permite situar a obra no passeio antes da fotografia, mas não a sua duração.
- A fotografia documenta o banco e o muro num enquadramento parcial, sem mostrar os restantes espaços do cais.
Escolhe uma opção.
A comparação com duas peças de um recorte sugere o quê? Justifica a opção com uma pista do texto.
- A certeza de que a fotografia foi cortada para esconder o banco.
- A decisão de substituir a fotografia por um desenho novo do cais.
- Relacionar memória e fotografia sem garantir a mesma cena.
Escolhe uma opção.
Porque a dúvida permanece no texto final? Justifica a opção com uma pista do texto.
- A mãe situou a deslocação do banco durante a obra, mas o narrador não usou essa informação.
- O passeio com o avô mantém significado afetivo, embora nem a fotografia nem a recordação comprovem a posição exata dos pés.
- O narrador prefere a posição lembrada à posição comprovada dos pés na fotografia.
